Minha história
O feirante que virou prefeito
A história de Renato Junior começa de madrugada, entre caixas de fruta e balsas atracando na Manaus Moderna. Passa pela fé, pela perda do pai e por um negócio próprio, e chega à Prefeitura de Manaus em 31 de março de 2026.

A Banca do Renato
Renato Frota Magalhães nasceu em Manaus em 29 de janeiro de 1987. É o caçula dos quatro filhos de Maria do Livramento, a dona Menta, e de Raimundo Irene Magalhães, o seu Renato.
O pai era maranhense, criado no Piauí. Chegou a Manaus no começo dos anos 1970, junto com outros nordestinos que viam na Amazônia e no Polo Industrial a chance de recomeçar. Trabalhou como operador de máquinas pesadas até encontrar seu lugar no comércio. Teve banca no porto do Ceasa e depois na Manaus Moderna, no Centro, onde a Banca do Renato ficou conhecida entre carregadores, comerciantes e donos de balsa.
O dia da família começava às duas da manhã. Renato acompanhava o pai, a mãe e as irmãs Rosemary, Rosângela e Rosely nas madrugadas da feira. Aos 13 anos já carregava caixas, conhecia cada feirante pelo nome e sabia de cor a rotina das balsas que atracavam no porto. Foi o primeiro emprego dele.

Fé, família e recomeço
Renato estudou em escola pública. Foi na Igreja Adventista do Sétimo Dia que descobriu a vocação para liderar: passou a coordenar grupos de jovens e, na mesma época, conheceu Symonne. Os dois se casaram e tiveram a pequena Olívia.
Em 2009, aos 22 anos, ele perdeu o pai.
Foi um baque, um momento de decepção da minha vida.
Renato deixou a feira, abriu o próprio negócio na construção civil e passou a sustentar a família. Dessa fase vem a ideia que guia o trabalho dele até hoje.
Devolver o que havia recebido de Manaus se tornou, ao longo da minha vida, uma missão.

A entrada na vida pública
Em 2020, Renato caminhou ao lado de David Almeida e de Marcos Rotta na campanha para a Prefeitura de Manaus. Coordenou equipes e circulou pelos bairros que conhecia dos tempos de feira.
A vida como feirante me ajudou nisso também. Eu andava muito por Manaus, nas feiras, nos bairros.
Eleito, David Almeida convidou Renato para a Semacc, a secretaria que cuida de feiras, mercados, abastecimento e comércio informal. Era a pasta de menor orçamento da prefeitura, e o primeiro ano foi o da pandemia de Covid-19, com feiras vazias e feirantes sem renda. Renato entrou nas feiras, higienizou, reorganizou os espaços e trouxe a clientela de volta.
Meses depois veio a cheia histórica de 2021. O Rio Negro invadiu as ruas do Centro e os corredores da Manaus Moderna e da Feira da Banana. Em sete dias, a Semacc montou a primeira feira flutuante do país, e os feirantes continuaram trabalhando sobre as águas. A iniciativa foi notícia dentro e fora do Brasil.
Em 15 meses à frente da secretaria, o trabalho chegou a mais de 20 mil feirantes, camelôs e produtores rurais. Renato foi às comunidades do interior do município, sentou com o pequeno agricultor e voltou com mecanização, sementes e assistência técnica.

O maior programa de asfalto da cidade
Em abril de 2022, Renato assumiu a Seminf, a Secretaria Municipal de Infraestrutura, uma das pastas de maior orçamento da prefeitura. No primeiro mês, lançou o Asfalta Manaus, o maior programa de recapeamento da história da capital: mais de 3,5 mil ruas em 62 bairros, com atenção aos ramais da zona rural, por onde a produção dos pequenos agricultores chega à cidade.
A Seminf ficou conhecida pela velocidade. A drenagem da avenida Djalma Batista, no igarapé do Bindá, foi refeita em oito dias. A da rua Atlântica, no bairro Raiz, em sete. Ao todo, 32 áreas de risco receberam obras de contenção, tirando famílias do perigo.
Qualidade e velocidade são os principais ingredientes do meu trabalho.
Também vieram três viadutos em pontos onde o trânsito travava: na avenida das Torres com a Barão do Rio Branco, na Efigênio Salles sobre a rua Rio Preto e na Bola do Produtor, na divisa entre as zonas Leste e Norte. Embaixo deste último, a prefeitura montou um complexo esportivo com pista de skate, quadra de basquete, ringue de boxe e academia ao ar livre.
É uma obra que não apenas conecta vias, mitiga acidentes, mas devolve à cidade um espaço de vida.

Vice-prefeito
Em 2024, David Almeida disputou a reeleição e escolheu Renato como vice. A chapa venceu, e os dois começaram o novo mandato em 1º de janeiro de 2025.
Como vice-prefeito, Renato liderou o Mutirão no Centro, com a missão de revitalizar o coração histórico da cidade. O projeto começou pela escuta: pela primeira vez, lojistas, camelôs e feirantes sentaram à mesma mesa com a prefeitura para definir as prioridades do bairro.
O marco desse projeto não está apenas nas obras, mas na escuta.
Do Mutirão saíram a Faixa Liberada da Getúlio Vargas, que devolveu a avenida arborizada ao convívio das pessoas, e a reforma da Praça dos Remédios. Pessoas em situação de rua foram acolhidas, com três novos centros de assistência. A Manaus Moderna, onde tudo começou, ganhou um anexo para a praça de alimentação dos feirantes.
Na cheia de 2025, Renato voltou a enfrentar o mesmo rio que, quando menino, viu alagar as bancas da feira. Desta vez, coordenando a ajuda às comunidades ribeirinhas.

Prefeito de Manaus
Em 31 de março de 2026, David Almeida deixou a prefeitura para disputar o Governo do Amazonas, e Renato Junior tomou posse como prefeito de Manaus, 455 dias depois de assumir como vice. Foi a segunda vez desde a redemocratização que um vice chegou ao comando da cidade.
No discurso de posse, na Câmara Municipal, ele lembrou de onde veio.
Eu que saía de madrugada pra trabalhar com meu pai na feira e voltava fim do dia pra casa (…) assumo agora a responsabilidade de cuidar da minha cidade, graças ao senhor, prefeito David, que me notou e me oportunizou algo que eu nunca imaginei.
Filho de feirante, carregador de caixas aos 13 anos, secretário que levou a feira para cima do rio. Hoje, prefeito da cidade onde aprendeu a trabalhar.

A história continua
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